ASSIM COMO ORDENOU JESUS

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ASSIM COMO ORDENOU JESUS

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Desde o principio, a história registra a importância dos símbolos para garantir a memória, a comunicação e a compreensão humana.  Com esse entendimento e a partir do próprio Jesus, o cristianismo possui um vasto acervo simbólico em seu desenvolvimento.  Dentre eles, os mais importantes e preservados de uma forma ou de outra por todos os ramos do cristianismo estão o Batismo e a Santa Ceia.

Neste período chamado de Semana Santa, a Igreja Anglicana celebra na quinta-feira a instituição da Eucaristia, ou Ceia do Senhor como também é chamada.

Mais do que relembrar os últimos dias de Jesus entre os discípulos, nossa intenção é asseverar a importância desse Sacramento instituído por Jesus e dos seus efeitos para nossa vida cristã.

Entendemos sacramento por: “um sinal externo e visível de uma Graça interna espiritual” ou “ sinal externo e visível de uma graça interna e invisível”. Em nossa teologia e pratica cristã, não há divergência entre memorial e Sacramento. A Eucaristia reúne no mesmo ato, a lembrança de um importante fato ocorrido no passado, com a realidade de uma ação que nos alcança nos dias de hoje.

Assim a Santa Ceia é  memorial, toda vez que o Ministro tomando o lugar do nosso Senhor junto  à Mesa, repete   cada gesto e palavra pronunciada por Ele nos levando a pensar no sacrifício que Jesus  realizou  derramando seu sangue na cruz para nossa redenção;  É  também Sacramento porque além de ter sido ordenada por Jesus “ fazei isso em memória de mim”, temos a certeza de que o que foi feito uma única vez tem efeito continuo na vida daquele que crer no poder de Jesus. É  Sacramento porque  Jesus  ao celebrar a Páscoa relacionou o Pão ao seu corpo e o Vinho ao seu sangue como elementos que deveríamos comer e beber para ser salvos e nele permanecer, conforme a afirmação que  havia feito em João 6:52

“Naquele tempo, os judeus começaram a discutir entre si, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”Jo 6:52-56

Com isto não estou afirmando  que basta comer o pão e tomar o vinho para termos a vida eterna,  ou que assim Jesus permanecerá em nós.; Nada disso ocorrerá se sua atitude externa e visível não for a real expressão do que você crê e vive. Quanto  á isto fomos advertidos pelo Apostolo Paulo  quando disse;

Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.”                                                                             1 Coríntios 11:27-29.

Ou ainda , pelo Artigo XXIX  dos XXXIX artigos anglicanos:

 “Os ímpios e os destituídos da fé viva, embora eles carnal e visivelmente comprimam com os dentes (como S. Agostinho diz) o sacramento do corpo e sangue de Cristo, nem por isso , são participantes de Cristo, mas sim a sua condenação comem e bebem o sinal ou sacramento de uma coisa tão importante.”

Comer a carne e beber o sangue de Cristo, significa acreditar no poder do seu sacrifício, acreditar no perdão de seus pecados  e recomeçar a vida buscando viver de acordo com os ensinamentos de nosso Senhor, significa interiorizar o Pai, o Filho e o Espírito Santo, deixando que sua vida seja dirigida pela Trindade Santa. Diferentemente daqueles judeus que sem compreender, discutiam a respeito da maneira pela qual Jesus nos daria sua carne e seu sangue, pensando apenas na forma material ou física que isso poderia ocorrer, quem vive no Senhor não tem dificuldade alguma para entender do que Cristo falava e portanto em se alimentar ou viver  sem dúvida alguma sobre os benefícios dele recebidos.

Aquele momento em que  você está ceando,  deve  ser um ato publico de gratidão à Deus pelo  seu amor , pelo seu sacrifício e  pela presença do Espírito  Santo em sua vida, acompanhado da firme decisão em continuar na caminhada, com vida transformada  e querendo mais de Cristo em seu ser. Na Ceia, os elementos  não se transformam ; o pão continua pão  e o vinho continua vinho, mas a fé viva com que são recebidos,  crendo em tudo o que simboliza aquele momento, promove  a manutenção de nossa vida nova em Cristo Jesus e por isso o Pão e o vinho, são verdadeiro alimento espiritual que nos fortalece contra o pecado , contra as tentações e contra todas as potestades do mal, pois aquele que está em nós é Poderoso para agir em nós  e por nós em todas as coisas que necessitamos no caminho da santificação.

Muito se discute sobre o tipo de pão que se deve usar, como se o elemento utilizado fosse fazer a diferença na vida do crente; o que faz diferença na vida do  crente é sua fé e nesse caso, com que fé , com que entendimento, recebe o pão e o vinho. Jesus não estabeleceu um tipo especifico de pão, Ele apenas usou o que era comum à cerimônia da Páscoa e portanto, pão sem fermento.  Nós utilizamos a partícula idêntica aquela na Igreja Romana por sua praticidade  e higiene . A páscoa era celebrada uma vez por ano, nós celebramos ao menos duas vezes por Mês e por isso normalmente,e não como regra, utilizamos a partícula que chamamos Obreia significando simplesmente o “ pão sem fermento” . Quero ainda afirmar que nossa tendência natural é utilizar os elementos exatamente conforme Jesus usou e ordenou. Com isso não pretendemos ser mais bíblicos do que outros irmãos que celebram com diferentes tipos de pão, ou vinho, ou suco de uva; fazemos por tradição. Por outro lado, não temos problema  em  utilizar outro tipo de pão ou suco de uva porque acreditamos mesmo, é na essência do Sacramento  e em dias de lei seca , não cremos que Jesus se importaria de celebrar com suco 0 % álcool, pois Jesus nos ensinou que mais importante do que a oferta, é o altar que santifica a oferta.

 O outro e maravilhoso símbolo da eucaristia, é a própria Mesa, para a qual todos são chamados à participar.Todos os que verdadeiramente foram feitos filhos de Deus. Quando Jesus chamou os discípulos para a última ceia antes de sua morte, foi para instituir  o que repetimos hoje, (Ele já havia ceado com os discípulos muitas vezes mas agora é diferente). Com a Mesa, Jesus está materializando nossa nova realidade, Não somos mais apenas criação  ou servos de Deus, agora também somos sua família .Por isso nossa Ceia é somente para cristãos , pois só é família de Jesus aquele que o tem como Senhor e Salvador. É  aberta somente para os batizados em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, mas só é fechada de fato pelo próprio individuo que ainda não optou por entregar sua vida à Jesus. Jesus continua chamando através  da sua Igreja , todos os cansados e sobrecarregados.

O último símbolo que pretendo citar hoje, é a própria comunidade como povo de Deus , como família, reunida, adorando  e confessando sua fé na Trindade divina. A Santa Mesa do Senhor é um grande privilégio, estabelecido por Cristo à fim de que sempre nos lembremos, que o Senhor está no Meio de Nós.  Porque com ela somos renovados para prosseguir nossa luta diária.  Portanto  se você compreende o sacrifício de Cristo, sua nova realidade como Filho de Deus, Venha  sempre à Ceia do Senhor. Jamais deixe de participar por causa de algum pecado cometido  e verdadeiramente arrependido. Confesse , receba o perdão do Senhor e participe pedindo que o Espírito  Santo renove a presença de Cristo  em sua vida.

Então ,espero que todas entendam que a principal intenção de cada símbolo cristão é nos levar até Cristo, é fazer sua presença viva ontem e hoje, como uma realidade que não se pode negar quando podemos reconstruir a História do passado com fortes evidencias em nosso presente.

Jesus instituiu a Ceia com o que lhe era mais comum e significativo, com a intenção de que todas as gerações que nele crêem possam se unir ao redor da mesa , relembrando seus atos de sacrifício e amor incondicional por toda a humanidade. Sua morte,ressurreição e ascensão . Não deixemos que nossos gostos particulares ou preconceitos  façam divisão daquilo que deve ser unido,  a saber, o Corpo de Cristo.

Tenho me alegrado porque muitos estão percebendo que não devemos coar mosquitos enquanto engolimos camelos ( ver. Mt 23:24). Que devemos nos unir mais pelas nossas similaridades do que nos separar por nossas diferenças; quanto  mais este sentimento se realizar na Igreja do Senhor, mais o  mundo se achegará à Deus.

Pai, perdoa porque não temos te amado com todo o nosso coração e nem ao nosso próximo como à nos mesmos.

Bispo Flávio Adair

 


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