ANGLICANISMO

 

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O Anglicanismo é um ramo histórico e reformado da Igreja de Jesus Cristo, presente em 164 países, e em dinâmico processo de expansão missionária. É a religião oficial da Inglaterra, e doze dos seus membros ocuparam a Presidência da República dos Estados Unidos da América. É a Igreja de pensadores como John Stott, C.S. Lewis, J.I. Packer, Alister McGrath e N.T Wright. Mas, para muitos leitores brasileiros ela é “a religião fundada pelo rei Henrique VIII”. Estamos presentes no Brasil desde a Regência, com as Capelanias Consulares Britânicas; chegamos em grande número, com a imigração japonesa para o sudeste e o sul; estabelecemos uma vigorosa missão, de origem norte-americana, no Rio Grande do Sul, no final do século XIX. Em nosso País ainda se confunde romanismo com catolicismo, e há, entre os protestantes, preconceitos contra a estética na adoração e contra o governo episcopal. Católicos romanos, desconhecedores da Igreja Celta, e da ampla e complexa realidade da Reforma Inglesa, ainda nos encaram como simples cismáticos.

Os Anglicanos formam o ramo do Cristianismo Histórico que têm suas raízes na Grã-Bretanha, onde se situa a Inglaterra, cuja região central é denominada de Anglia, a terra dos anglos. A Grã-Bretanha também inclui a Escócia, Gales, Irlanda e a Ilha de Man. A Inglaterra (terra dos anglos) foi conquistada pelo imperador Júlio César no ano 55 a.C., mas Roma levou um século para dominar toda a Grã-Bretanha, com suas colônias, estabelecimentos militares e entrepostos militares, em uma era de prosperidade, que durou três séculos.

A Irlanda, a Escócia, Gales, a Ilha de Man e o norte da Inglaterra passaram a ser habitados, permanentemente, pelo povo Celta, originário da Bulgária, no leste, e que se expandiu por toda a Europa, fincando raízes nas Gálias (França), Península Ibérica e Ilhas Britânicas. O sul da Inglaterra conheceu sucessivas levas de invasores.

Podemos dividir a História da Igreja na Ilhas Britânicas em três fases:

1. A Fase Celta;

2. A Fase Católico-Romana;

3. A Fase Reformada.

A FASE CELTA (Séculos I ao VII)

Não houve nenhum esforço missionário formal, nem das Igrejas do Oriente,nem da Igreja do Ocidente, para evangelizar as Ilhas Britânicas. Ela foi o resultado do esforço dos leigos. Soldados, funcionários civis e comerciantes cristãos romanos levaram o Evangelho para aquelas ilhas. Também, no ano 70 d.C., dentre os escravos perseguidos nas Gálias (França) que fugiram para o litoral inglês, estavam grupos de cristãos. Uma tradição atribui à presença de José de Arimatéia, no primeiro século. Há sítios arqueológicos desse período, como uma Capela em Kent, uma Igreja em Silchester e a presença, em vários lugares, de símbolos cristãos, como o XP.

Tertuliano afirma a existência da comunidade cristã britânica no ano 200. Três bispos ingleses estiveram presentes ao Concílio de Arles, no sul da França, em 314. Não se sabe se estiveram no Concílio de Nicéia (325), mas Atanásio informa que a Igreja inglesa se submeteu às suas deliberações. A realidade é que o povo Celta se converteu ao Cristianismo, e teve o seu primeiro mártir na pessoa de Santo Albano, sacerdote morto durante a perseguição do imperador Diocleciano (305). A Irlanda foi marcada pelo ministério de Patrício e Paládio, a Escócia pelo ministério de Nínian e Columba, e Gales pelo ministério de Davi.

A Igreja Celta tinha um forte acento místico, ascético e missionário, sendo influenciado pela contemplação da Igreja Oriental, inclusive pela adoção da sua versão do Credo. Essa contemplação litúrgica, esse sentir da fé, essa

valorização da natureza, a diferenciava da visão jurídica, filosófica e institucional da Cristandade euro-ocidental sob Roma. Sua unidade básicaera

O mosteiro, com uma área de influência, sob a autoridade de um Abade.Alguns abades eram bispos, mas a maioria dos bispos era missionária. Com essas regiões abaciais, eles não conheceram a figura da Diocese, no modelo romano.

A Igreja Celta funcionou até o século VII como um ramo autônomo do Cristianismo, se comportando como parte da Igreja Católica (universal), mas sem vínculos formais ou subordinação à Igreja de Roma. A partir do século V as regiões sul e centro da Inglaterra foram invadidas por anglos, saxões e jutos, que a descristianizaram ou re-paganizaram. Foi por isso que o Papa Gregório Magno, decidiu enviar uma força missionária para aquelas regiões, formada por 40 monges beneditinos, sob a liderança de Agostinho, que se estabeleceram na cidade de Cantuária (Canterbury) perto do litoral. Além do objetivo de re-cristianizar a Inglaterra, aqueles monges deveriam tentar levar a Igreja Celta a se vincular a Roma, respeitando, tanto quanto o possível, os seus costumes.Agostinho foi feito Bispo, bem como o seu companheiro Paulinus, responsável pelo batismo do rei Dewin, da Nortúmbia, e pela “conversão” da nação. Nessa época é estabelecido um importante centro monástico na ilha de Iona, sob a liderança de Santo Aidan.

O período da Igreja Celta autônoma chegou ao fim com a convocação, pelo rei Oswy, da Nortúmbia, de delegados celtas e romanos, para um Concílio na cidade de Whitby, em 664, quando os celtas aceitaram a data da Páscoa romana e se submeteram à autoridade papal, apesar de resistências de vários líderes, como São Cutberto, Bispo de Lindisfarne (uma histórica Sé celta). O Papa cria o Arcebispado de York, segundo em honra ao Arcebispado de Cantuária, e símbolo da herança celta. Não houve uma continuidade de sucessão apostólica dos bispos celtas. O Episcopado Histórico Anglicano tem início com Agostinho.

A FASE CATÓLICO-ROMANA (Séculos VII a XVI)

Nos primeiros séculos, após a vinculação com a Igreja de Roma, prosseguiu a vida tradicional da Igreja Celta, mas a criação das Dioceses e a designação de bispos, com a evangelização das áreas mais remotas, e uma maior disciplina para o clero, sendo percebido como líder de toda a Igreja inglesa, foi obra de Teodoro de Tarso, titular de Cantuária por 21 anos. Os papas canalizaram o fervor missionário dos celtas para a evangelização da Alemanha e da Escandinávia. Politicamente, a Inglaterra não era um país unificado, mas um conjunto de reinos e feudos, aos quais se ligavam os párocos de aldeia. Enquanto isso, o monasticismo celta ia adotando a regra beneditina. Os séculos VII e VIII produziram intelectuais de expressão, como Adelmo, Alcuino e o Venerável Beda, autor da “História Eclesiástica do Povo Inglês”. No século IX a Inglaterra foi invadida pelos vikings, que destruíram quase tudo o que tinha sido construído pela Igreja, saquearam Cantuária e incendiaram a Catedral.

Alguns desses invasores se fixaram na terra concorrendo para o sincretismo com o cristianismo popular, particularmente a prática de magias. Ironicamente, enquanto os vikings escandinavos estavam destruindo o cristianismo inglês, os missionários ingleses estavam evangelizando a Escandinávia. A resistência aos invasores se fez, principalmente, a partir do reino cristão de Wessex, liderado pelo rei Alfredo, cujas leis se constituíram na base do Direito inglês, e que foi denominado de “o protetor dos pobres”. Outro foco de resistência foi um movimento de reavivamento monástico, liderado por Dunstam, Abade de Glastombury, e, depois Arcebispo de Cantuária. No século X a Inglaterra caminhava para uma maior união política, e a Igreja contava com 18 Dioceses, com todos os cargos paroquiais preenchidos. Em 1016 a Inglaterra sofreu nova invasão normanda, mas, dessa vez, tendo à frente um cristão convertido, dinamarquês de nascimento, Cnut, que foi proclamado rei do país, aprofundou os vínculos dos cristãos ingleses com a Igreja de Roma, e quebrou o monopólio dos beneditinos, abrindo as portas para outras ordens e congregações.

Já se afirmou que: “A conquista normanda deu fim a uma era de sete séculos de um cristianismo inglês, que tinha nascido naBritânia romana e tinha passado, sucessivamente, pelas etapas celta, anglo-saxônica e escandinava. Do tempo de Agostinho em diante, por quatro séculos, a Igreja Inglesa tinha estado na órbita papal. Na era normanda, a autoridade papal passaria a ser fortalecida grandemente…”.

Outro autor, comentando esse período, afirmou: “…sempre houve uma certa insatisfação na Igreja Inglesa, por ter que se submeter a uma Igreja estrangeira (romana). Esta animosidade se intensifica a partir do décimo segundo século, e dá início a tensões que são inegáveis. No século XII, por exemplo, o rei Henrique II limitou o poder do clero inglês, quando lhe proibiu a possibilidade de apelar a Roma, quando limitou a autoridade da Igreja em imprimir censuras, e quando subordinou a permissão ao rei as viagens dos bispos para o exterior. Em 1164, ficou estabelecido, na Dieta de Cheredon, que a eleição dos prelados só se faria com a aprovação do rei, a quem os eleitos antes da sagração deveriam prestar juramento de vassalagem e fidelidade.

Ato de Provisão (1351) e o Estatuto Praemunire (1353) proíbem, respectivamente, a entrada em território britânico de qualquer bula ou sentença papais, e impedem a apelação a tribunais eclesiásticos estrangeiros, declarando ilegítimas todas as nomeações feitas pelos papas”. As tensões entre os monarcas e os papas eram uma marca da Europa daquela época, com o início das consciências nacionais (que resultariam na criação dos Estados Nacionais) e os sentimentos nacionalistas. Um caso dramático foi, primeiro, o exílio, e, posteriormente, o assassinato do Arcebispo de Cantuária Thomas Becket, no reinado de Henrique II. No século XIII, com a ida para as cruzadas do rei Ricardo, “Coração de Leão”, assumiu o trono inglês o seu irmão, João, o “Sem Terra”, a que os nobres, reunidos em Parlamento, forçaram a assinar o histórico documento de direitos, a “Magna Carta” (1215), onde aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Anglicana”, na cláusula que diz “a Igreja Anglicana será livre”. O século XIV significou um momento de inflexão na história medieval, com o início da decadência do poder papal, com o chamado “Cativeiro Babilônico”, com os papas, de 1309 a 1377, prisioneiros dos reis franceses em Avignon(todos os papas desse período foram franceses…), e o desgaste para a instituição com um papa em Roma ex-comungando o Papa de Avignon e vice-versa.

A eleição de um terceiro papa “desempatador” não foi aceita, e somente com a eleição de um quarto papa, com suficiente respaldo dos poderes temporais, houve o regresso a um papado unificado, mas desgastado e

fragilizado. É nesse contexto que a Inglaterra vai ser o lugar para o mais importante episódio da Pré-Reforma, com John Wycliffe (1328-1384), professor da Universidade de Oxford, denominado de “a estrela matutina da Reforma”. Wycliffe teceu fortes críticas à instituição do papado, condenou a simonia(compra de cargos eclesiásticos) e as indulgências (anistia de pecados mediante pagamento), negou a doutrina da transubstanciação, defendeu o confisco dos bens da Igreja pelo Estado, e a necessidade do povo conhecer as Sagradas Escrituras em sua própria língua, sendo as mesmas o único fundamento da fé.

Suas ideias correram a Europa, e influenciaram Jerônimo, professor da Universidade de Praga (na Boêmia, província Tcheca) e seu jovem discípulo Jan Huss, que, apesar de ter conseguido um Salvo Conduto do Concílio de Constança, foi queimado vivo. Wycliffe fundou, dentre os jovens alunos de Oxford, oriundos da aristocracia, uma ordem mendicante, conhecida como os “Lolardos”, que iam pelas aldeias pregando e distribuindo porções bíblicas, e que foi condenada pelo estatuto “De Herético Carburendo”, que autorizava a execução dos que não abjurassem. O movimento, mesmo perseguido, permaneceu clandestino por cerca de um século e meio, até a Reforma.

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A FASE REFORMADA (Século XVI aos Nossos Dias)

O Sacro-Império Germânico Romano, como unidade política sob a hegemonia papal, estava se desintegrando sob a força do emergente nacionalismo. O feudalismo também iniciava o seu declínio. Dentre as forças políticas medievais, declinavam o Papa, o Imperador e os Barões, e se fortaleciam os Reis e a nobreza. O próximo passo seria a independência dos países, mas romper com o Sacro-Império era, também, romper com o papado. A situação da Inglaterra não era diferente, com a diferença que sua Igreja fora independente no passado, que sempre tinha mantido uma relativa autonomia, e que recebera a influência da Pré-Reforma de John Wycliffe.

Ao contrário de Wycliffe, Lutero e os reformadores tiveram a seu favor adescoberta da imprensa e a conversão do seu inventor, Gutemberg, o que possibilitaria uma rápida disseminação de suas ideias. As 95 Teses foram afixadas por Lutero, em Wittemberg, em 31 de outubro de 1517. Já em 1520 as ideias protestantes eram estudadas pelo clero inglês e por professores e alunos das Universidades de Oxford e Cambridge. Cambridge se tornou, desde cedo, o epicentro da Reforma Inglesa, com as reuniões de debate se dando todas as tardes na Taverna do Cavalo Branco.

Por um lado, temos que desmitificar a versão de que “a Igreja Anglicana foi fundada pelo rei Henrique VIII”, pois, como já se disse: “A Reforma Inglesa viria com Henrique VIII, sem ele ou contra ele”. Henrique VIII, a partir de 1509, teve uma gestão positiva como rei, fundando a primeira escola secundária pública do reino, em um anexo à Catedral de Cantuária (o “King’s School”), que funciona até hoje. A questão da sucessão dinástica não era, então, um assunto privado, mas uma questão de segurança nacional. Anulações de casamentos, por interesse político, já conheciam precedentes por parte do papado. O que não acontece em seu caso, em razão da sua primeira esposa ser sobrinha do Imperador.

O rei era, originalmente, um devoto católico romano, chegando a escrever um texto para refutar as posições de Lutero sobre os Sacramentos, recebendo do papa o título de Defensor da Fé (Defensor Fidei), usado pelos reis ingleses ainda hoje.

O cenário começa a mudar com a posse de Thomas Cranmer como Arcebispo de Cantuária, em 1533. Cranmer, professor em Cambridge, já tinha aderido ao Protestantismo, e era um dos componentes do grupo da Taverna do Cavalo Branco. Ele anula o primeiro casamento do rei, e celebra o novo casamento. O Parlamento – cheio de nacionalistas – aprova essas medidas. O Parlamento agora tratando o papa de “o Bispo de Roma, também chamado de Papa”, foi aprovando uma sucessão de leis de afirmação da autonomia da Igreja Inglesa.

Os mosteiros foram dissolvidos. As terras da Igreja sofreram uma reforma agrária. Suspendeu-se o envio de impostos para o papa e para o imperador. O rei recebeu, em 1534, o título de “Governador e Suprema Cabeça da Igreja”.

O Arcebispo de Cantuária é estabelecido como titular da hierarquia. Surgia aIgreja da Inglaterra como Igreja Nacional. A Reforma Inglesa se deu por Atos do Parlamento sancionados pelo rei, com o apoio dos intelectuais e da liderança do clero. Embora a Bíblia (secretamente) já fosse distribuída desde Wycliffe, no século XIV, agora o povo a demandava abertamente, o que foi feito com a nova tradução para o vernáculo, liderada por William Tyndale.

De seus casamentos, o rei Henrique VIII, ao falecer, deixara três filhos, de três esposas diferentes, que seguiam a religião de suas mães: Eduardo, o mais velho e Elizabeth, a mais nova, eram protestantes; e Maria, a do meio, eracatólica romana.

De 1547 a 1553 reinou Eduardo VI, que, por ser menor de idade, foi assessorado por regentes, igualmente protestantes, que aprofundaram a Reforma, com a aprovação pelo Parlamento, em 1549, do Livro de Oração Comum (LOC) compilado pelo Arcebispo Cranmer. Os altares de pedra foram substituídos por mesas de madeira, o celibato clerical foi revogado, o povo passou a receber a Ceia nas duas espécies, foram retiradas as imagens dos altares, a Eucaristia deixou de ter um caráter sacrificial, foi abolida as orações pelos mortos e simplificadas as vestes clericais. São decretados os “Quarenta e Dois Artigos”, de forte inspiração calvinista.

De 1553 a 1558 reinou Maria, que se reconcilia com Roma, impõe de volta a religião católica romana, recebendo o epíteto de “a sanguinária”, por ter sido responsável pela execução de mais de 300 clérigos, dentre eles o Arcebispo de Cantuária Thomas Cranmer (o pensador principal da Reforma Inglesa) e os Bispos Latimer e Ridley, queimados vivos na estaca no centro de Oxford. Na execução, já queimando, o Bispo Latimer gritou para o seu companheiro de infortúnio: “Conforte-se, mestre Ridley, e seja homem; devemos encarar esse dia com sendo candelabros da Graça de Deus sobre a Inglaterra, e essachama jamais será apagada”.

Segue-se o longo reinado de Elizabeth I, de 1558 a 1603, que rompe, outra vez, com a Igreja de Roma, edita, em 1559, uma nova versão do Livro de Oração Comum (LOC), como única liturgia oficial, reduzindo para 39 “Os Artigos de Religião”. Elizabeth sofre pressão; de um lado, do remanescente

dos restauracionistas pró-Roma, e, do outro, dos “puritanos”, que voltavam do exílio sob forte influência de expressões mais extremadas da Reforma. Ela se mantém fiel ao espírito da Primeira Reforma, fazendo o Parlamento aprovar duas leis fundamentais: O Ato de Supremacia e o Ato de Uniformidade, o que significaria não voltar para Roma e não ceder às pressões de Genebra. Esse “estabelecimento elizabethano” forjou a face do Anglicanismo, como Igreja Católica e Protestante.

O principal pensador dessa época, e defensor da “via média” Anglicana, foi Richard Hooker, autor da obra clássica “Das Leis da Política Eclesiástica”, 1594. Com a morte de Elizabeth, em 1603, assume o trono o rei Jaime I, da Escócia, que autoriza a edição da famosa “Bíblia King James”, sendo sucedido, em 1625, por seu filho Carlos I, tentando manobrar no meio do conflito entre romanistas, elizabethanos e puritanos, todos insatisfeitos, e com seus próprios projetos.

Uma Guerra Civil tem início em 1642, vencida pelo exército de hegemonia puritana, que prende o rei Carlos I e o executa, em 1649. A partir de 1643, todo poder permanece com o Parlamento, que estabelece o presbiterianismo como religião oficial, e convoca a Assembléia dos teólogos calvinistas para, reunidos na Abadia de Westminster, redigirem um Guia de Culto, uma Confissão de Fé e um Pequeno e um Grande Catecismo. Em 1648, Oliver Cromwell, máximo dirigente militar, dissolve o Parlamento e dá início a uma ditadura de puritanos, se denominando de “Protetor”. Com sua morte, em 1660, o seu filho Richard não consegue segurar o regime. O Parlamento volta a funcionar normalmente, chamando para o trono o filho de Carlos I, Carlos II, restaurando o Episcopado e o Livro de Oração Comum (LOC), retomando ahegemonia Anglicana.

Perto de sua morte, em 1685, Carlos II abraça o catolicismo, e é substituído por seu irmão Jaime II, um católico, que pretendia nova vinculação à Igreja de Roma, o que põe a nação inglesa em ebulição. A aristocracia, respaldada pela maioria do exército, da burguesia e do povo, entra em contato com a princesa Maria, filha de Jaime II, casada com o príncipe holandês, Guilherme de Orange, ambos protestantes, que concordam em derrubar o pai/sogro. Em 18 de dezembro de 1688, o rei Jaime II foge de Londres, e Guilherme e Maria entram, triunfalmente, no que viria a ser denominada de “A Revolução Gloriosa”, pelo não derramamento de sangue e pelo alto consenso.

No final do século XVII, 154 anos desde a separação de Roma com Henrique VIII, após avanços e recuos em várias direções, surge uma nova nação inglesa com uma Monarquia Parlamentarista e uma Igreja Nacional, que, com pequenos ajustes, restaura o estabelecimento elizabethano. A Igreja na Inglaterra se torna a Igreja da Inglaterra. O Anglicanismo – católico e reformado – se torna um ramo específico na Igreja de Cristo.